Bolsonaro voltou semana passada e decidi ir de bicicleta na Esplanada dos Ministérios conferir como estão as coisas por lá. No caminho, passei pelos fundos do Banco Central, que seguirá por mais dois anos sob o comando de um nomeado por Bolsonaro. O banco é onde decide o tamanho da maior despesa do país, os juros da dívida pública. Como não sobra quase nada do orçamento depois de pagar as despesas obrigatórias… a pergunta “Quem estaria mandando aqui em Brasília?” é uma pergunta pertinente, que faz muito sentido.

Hoje cedo, fui ler a coluna de José Nêumanne Pinto, jornalista paraibano brilhante, um dos raros que é independente de verdade. Fala o que pensa. Tenho muita admiração por ele. O que ele diz?
– Em teoria. Lula foi eleito para governar o país, mas o todo-poderoso não é o presidente eleito, e sim o chefão do centrão, às do baralho de Bolsonaro.
Conclusão, de repente, mesmo perdendo a eleição, aliados e nomeados por Bolsonaro seguem mandando no país, nesta Brasília muito estranha.
Já na esplanada, percebi que tinha grade para todo lado, muito policiamento, coisa que não tinha uma semana depois da invasão dos poderes, quando estive na esplanada no domingo seguinte às invasões. Fui coletar imagens para fazer este vídeo com o objetivo de mostrar as diferenças de tratamento dos invasores entre os Estados Unidos e o Brasil. Em 15 de janeiro, pude circular livremente por onde quis. Desta vez, grade para todo lado, o STF do nosso super-herói era onde tinha mais grades.
Perguntei a um guarda o motivo de tanta grade e tantos policiais. Ele disse que o motivo eram as redes sociais, onde detectaram convocação para manifestações. Perguntei pelos manifestantes. Ele disse que os manifestantes não apareceram. Bem, eu não vi ninguém de camisa amarela e também não vi nenhuma notícia sobre a possibilidade de novas manifestações. De repente, a mídia decidiu não falar para não estimular os invasores.
Dentro das grades, vi apenas um grupo que deixaram entrar. Eles estavam jogando algo com um disco. Não entendi que jogo era esse. Nesta Brasília muito estranha, tem jogos estranhos.
Bem, na volta parei nos food trucks para ver de que se tratava. Era um evento de balões. Olha só. Os policiais tentando evitar atentados e, ao mesmo tempo, permitindo que balões sobrevoassem a área. Vai entender.
Depois parei na estrutura dos pauzinhos e canos, onde tinha um bocado de criança. Eles corriam no meio da estrutura balançando os pauzinhos. Não entendi, mas me ocorreu uma viagem na maionese. De repente, aqui em Brasília, desde cedo, eles ensinam as crianças como conseguir as coisas, ensinam mexer os pauzinhos, coisa comum por aqui, onde impera o compadrio. E os canos? De repente, ensinam a não entrar pelo cano. Tinha também duas estruturas convexas muito estranhas. Disseram que o sujeito falava baixinho em uma delas e o amigo conseguia escutar na outra, bem distante. Ah, entendi! Também estão ensinando técnicas de espionagem, como fazer escutas.
Brasília de fato é uma cidade estranha.