Segundo a Wikipedia, o Plano Marshall foi a solução dos Estados Unidos para a reconstrução da Europa destruída pela Segunda Guerra Mundial. De onde veio o nome Plano Marshall? O plano recebeu o nome do Secretário de Estado americano George Marshall. A ajuda econômica foi entre 12 e 14 bilhões de dólares em valores da época, que, corrigidos pela inflação, equivalem a 100 bilhões de dólares em 2018.
Agora que você tem um parâmetro para entender a dimensão, o significado de cem bilhões de dólares, vamos assistir o que Paulo Guedes falava sobre a relação entre o Plano Marshall e a nossa principal despesa, os juros da dívida pública. A entrevista à GloboNews que eu vou mostrar agora ocorreu em 2018, ANTES dele assumir o poder.
Os 20 bilhões que ele acabou de falar pela venda das distribuidoras de energia não dá para pagar 15 dias de juros da dívida pública. A conversa envolvente de Paulo Guedes… Parece até que ele é contra pagar um Plano Marshall por ano de juros aos banqueiros e rentistas. Ele até escreveu isso que ele falou no plano de governo de Bolsonaro.
Parecia que ele queria bancar o marshall… que significa xerife em inglês. Um cara macho, capaz de enfrentar os oligarcas do seu próprio setor: os banqueiros. Mas não é bem assim.
Ele falava essas coisas sabe para quê? O que ele queria mesmo era justificar seu interesse. E quais é esse interesse? É o mesmo interesse que prevaleceu em todos os governos anteriores: fazer grandes negócios com o patrimônio público. Vender tudo o que conseguir vender, estatais, aeroportos, companhias de águas e esgotos, distribuidoras de energia. A lógica seria vender para abater a dívida pública, pois assim seria possível abaixar os juros.
Seu propósito é convencer almas ingênuas que não tem noção do tamanho das coisas. Tudo o que foi privatizado até hoje nem fez cócegas no tamanho da dívida. Se somar tudo, deu para pagar uns poucos meses, não da dívida, mas dos juros da dívida. Essa mentira de que privatizar é para reduzir a dívida pública vem sendo repetida há 30 anos. Há outras que não vou falar aqui agora.
Paulo Guedes vai sair de cena pagando de juros sabe quanto? 600 bilhões de juros neste seu último ano de mandato, o equivalente a mais de cem bilhões de dólares – um Plano Marshall.
O menino que ele botou no Banco Central, o Campos Neto, é um menino bom, de boas intenções, mas é adepto de teorias do século passado, que defendem essa coisa de pagar juro alto. Se cumprir o mandato, ele vai prosseguir no comando do Banco Central em 2023 e 2024. Será intocável. O novo Rei não poderá mexer com ele, nem com os juros que ele achar que o Brasil deve pagar. Isso é o Banco Central independente, a maluquice da Lei Complementar 179 aprovada em fevereiro de 2021 no governo Bolsonaro.
Até o Rei dar um jeito de revogar esta lei, você vai assistir a batalha Banco Central x Governo, que pode se estender por dois anos, durante o prazo de mandato de Campos Netto. Em breve, você vai começar a ouvir falar desta batalha Banco Central x Governo. Isso deveria ter sido assunto durante a campanha. Mas não foi. Campanha política no Brasil não discute nada que seja relevante.
Em resumo, o Banco Central agora tem o poder de fixar a taxa de juros e a despesa com a dívida pública. O poder de pagar mais.
Você já viu algum endividado desejar pagar juros mais altos? Parece uma maluquice, não é? O Banco Central adora essa brincadeira com juros (e com câmbio também). Em alguns dos 8 ou 9 vídeos que fiz sobre o assunto, botei para explicar a turma que defende essas ideias, mas parece que eles não conseguem. Se tiver interesse, pesquise no canal usando a palavra-chave juros no plural. Os vídeos vão aparecer quase todos.
No Brasil, prevalece uma crença de que juro alto é remédio para desequilíbrio fiscal. Ser humano é assim mesmo. O remédio tem que arder para curar. Tem que fazer sacrifício, levar castigo quando deixa de fazer o dever de casa. O ser humano que não entende nada de economia e até o que entende cai nessa viagem na maionese.
Europa e EUA já aprenderam que não é bem assim. As crises de 2008 e 2011 ensinaram aos americanos e europeus que isso é bobagem. O Brasil um dia vai aprender com eles, porque não dá mais para seguir fazendo sacrifício sem necessidade.
Nosso estrangulado orçamento tem receitas na casa dos 2 trilhões de reais e despesas de R$ 1 trilhão e oitocentos, quase tudo comprometido com despesas obrigatórias que não podem ser cortadas. Os duzentos que sobram não vai dar para pagar as promessas de campanha que somam 400 bilhões de reais: o aumento do Auxílio Brasil e outras despesas que vinham sendo represadas.
Neste quadro de país falido não tem como continuar com tanta gentileza aos companheiros oligarcas banqueiros. Não tem como se presente de Natal no valor de um Plano Marshall, 600 bilhões de reais.

