O entrelaçamento quântico foi chamado por Albert Einstein de ação fantasmagórica à distância. Ele não aceitava o fenômeno do emaranhamento de duas partículas que pareciam correlacionadas. Por exemplo, você pega dois fótons que foram emitidos do ventre de um mesmo elétron, no mesmo instante, cada qual viajando em direção oposta ao outro. Deixa eles andar uma distância. Aí você mede o spin de um e já sabe o spin do outro antes de medir, não importando a distância entre os fótons. Estão sempre com spins opostos.

Os físicos chamam isso de não localidade, um termo inadequado, que dificulta a compreensão de algo bem simples que prefiro chamar de ONIPRESENÇA.
Você aprendeu que nada pode viajar à velocidade superior à da luz, certo? Sim e não. Einstein mostrou que a matéria não pode alcançar a velocidade da luz, mas a informação pode.
Aliás para ser mais preciso, a informação sobre a partícula pode cruzar o universo de forma instantânea, sem precisar de viagem alguma. A informação quântica não viaja. Não há viagem, nem mesmo na maionese.
Tudo que existe está interligado e pode ser afetado pelo que acontece a bilhões de anos-luz de distância de forma instantânea. Não é teoria. Ultrapassou a fase de teoria. Já foi comprovado experimentalmente faz 40 anos. Há uma onipresença interligando tudo. Isso é um fato aceito de forma quase consensual pelos cientistas – o que varia, e varia muito, é a explicação do fato, não o fato.
Preste bastante atenção, porque esta é a sua chance de entender como os físicos constataram a existência de algo parecido com Deus, algo onipresente em toda a parte, que tudo afeta desde o início dos tempos.
Porém, para entender, você vai precisar que o foco de sua atenção saia do modo onipresente e entre no modo presente. Foco, foco, mantenha o foco neste vídeo por alguns minutos. Se deixar o universo dispersar sua atenção, vai perder a oportunidade de entender.
Em 1982, o físico francês Alain Aspect aplicou radiação laser em átomos de cálcio, que faz seus elétrons ganharem energia suficiente para subir para níveis de órbitas superiores. Do primeiro para o segundo, por exemplo. O elétron cheio de energia fica grávido de dois fótons gêmeos. Quando cessa o laser, ele desce de volta para onde estava, parindo o excesso de energia sob a forma de dois fótons em um mesmo instante, em direções opostas. Um vai para cá, outro vai para lá. Estas duas partículas formam um par emaranhado em estados quânticos opostos. Ao medir as duas, uma permanece dançando ballet girando no sentido horário, a outra no anti-horário.
Você não sabe qual gira para que lado até medir. Quando mede as duas, verifica que as duas estão sempre em estados opostos, conforme o previsto pela física quântica.
Até aí, tudo bem. A brincadeira começa a ficar interessante quando você vai lá de novo e usa um aparelho para inverter o giro de uma das partículas, para que ambas fiquem iguais, girando na mesma direção. Depois, você vai atrás da outra para conferir se está tudo certo, conforme o previsto. Ambas girando na mesma direção. Você mede e, para seu espanto, verifica que a danada da partícula gêmea também inverteu o giro sozinha. O par continua o ballet girando em sentidos opostos. Quem fez isso? Ninguém sabe.
Agora vou te mostrar tudo isso acontecendo diante dos seus olhos incrédulos. Veja essas bailarinas girando. São bailarinas quânticas. Olhe para a da esquerda. Preste atenção na direção que ela gira. Parece que todas giram na mesma direção, mas quando você olhar para a bailarina da direita, elas vão inverter o giro.
– Olhe as bailarinas….
Porém, o fato é que foi descoberto que isso ocorre de forma instantânea, sem sinal algum, não importando a distância entre as partículas. Isso acontece com fótons polarizados, com o spin de elétrons e com outras propriedades passíveis de emaranhamento.
Einstein não aceitava isso, que chamou de ação fantasmagórica à distância, que parecia contrariar sua teoria da relatividade, que dizia que nada, nenhum sinal poderia viajar à velocidade superior à da luz. Aliás, na sua concepção, nem podia haver sinal algum, visto que partículas separadas não deveriam estar correlacionadas.
Ele acreditava em variáveis ocultas que produziam esse resultado. Acreditava em coisas ainda não descobertas pela ciência. Einstein morreu em 1955 sem saber que estava errado.
Nos anos 70, a tecnologia evoluiu e permitiu experiências comprovando a ação fantasmagórica a curtas distâncias. Em 1982, o experimento do francês Alain Aspect distanciou os detectores em 13 metros, incluindo um interruptor que mudava em alta velocidade a direção de polarização dos fótons que iam para os detectores, fazendo isso a cada 10 bilionésimos de segundo, tempo mais curto do que o tempo de viagem da luz entre os dois detectores. A experiência de Alain Aspect foi um marco decisivo, que convenceu todos os físicos.
A partícula gêmea reage instantaneamente ao que acontece com seu par. Ninguém sabe por que é assim.
Em 1998, Nicholas Gisin na Universidade de Genebra aperfeiçoou e repetiu o experimento para distância de 11 km usando cabos de fibra ótica e, mais tarde, em 2004, fez de novo a experiência em uma extensão de 50 km. Recentemente, a China usou satélites no experimento, aumentando a distância para 1.100 km.
Hoje, os físicos estão convencidos de que o emaranhamento é válido para bilhões de anos luz de distância. Isso tem consequências fantásticas. Se tudo estava emaranhado no ponto que originou o Big-Bang, significa que todas as partículas estão interligadas no cosmos desde sempre. Tudo emaranhado, junto e misturado.
Se Deus está em toda a parte, em nós e em todo o mundo material, se está tudo interligado, a física descobriu esta interligação, embora não saiba explicá-la.
O próximo vídeo sobre esses mistérios já está com roteiro pronto, mas vai demorar um pouco a sair, porque estou entrando de férias em maio. Nele vai ter muita maionese. Você vai conferir as tentativas dos físicos de explicar a ONIPRESENÇA sempre através de viagens na maionese cada qual mais fantástica que a outra.
Para saber mais:
Vídeos da USP:
Parte 1: https://www.youtube.com/watch?v=CXrptgPviN8
Parte 2: https://www.youtube.com/watch?v=P_Ll8QcfxYM
Vídeo do Canal Ciência Todo Dia, de Pedro Loos:
https://www.youtube.com/watch?v=Q9J4ArjheD8
Vídeo de Pesquisadores Holandeses: