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Oligarcas na petroquímica – Como os conflitos entre oligarcas são resolvidos no modelo russo

Um oligarca jamais ataca outro oligarca. Quando há conflito, eles recorrem ao denominador comum. Qual é o denominador comum? É o Poder Judiciário? Claro que não. O denominador comum entre eles é o dinheiro. Pague um preço compensador e eu desisto de atuar competindo com você neste ramo de negócio. É assim. Não há competição.

As provas da existência do modelo russo remontam, pelo menos, a 2003, quando ocorreu uma reunião do Conselho de Administração da Copene, com muitas testemunhas. Nesta ocasião, o oligarca da Suzano disse que ia construir no Rio de Janeiro uma fábrica tipo Copene – só que a partir do gás natural e não da nafta, um processo de produção muito mais vantajoso que o usado pela Braskem. Eles iam ganhar a concorrência com produto mais barato. Marcelo Odebrecht ficou ensandecido. Ele se considerava o oligarca dominante, o queridinho do rei, o highlander que restaria como dono de tudo. Vamos ver como foi.

— “Você não vai construir a Rio Polímeros, porque eu não vou deixar”.

Em seguida, ligou para Lula pelo celular e colocou o telefone no viva voz para que Armando Guedes, então presidente da Suzano Petroquímica, escutasse:

— “Lula, é o Marcelo. Eu quero barrar a construção da Rio Polímeros. Você me apoia?”

— “Apoio”, respondeu o presidente.

A fábrica foi construída, mas logo em seguida acabou nas mãos da Odebrecht. O oligarca da Suzano desistiu do ramo petroquímico, ao perceber que não era o queridinho do rei.

Só Paulo Guedes ainda sonha que um dia vai existir concorrência no Brasil e os preços vão cair. Ele merecia o Oscar como ator. Conseguiu convencer um monte de ingênuos de que é possível dar um cavalo de pau no Brasil e migrar do modelo russo para o modelo americano, só com umas canetadas. Nem mesmo os generais linha dura do regime militar tiveram coragem de enfrentar os oligarcas.

E se você não é um oligarca? Aí você é esmagado pelo sistema, tal como aconteceu com o empresário Boris Gorentzvaig, da Petroquímica Triunfo, do Polo Petroquímico do Rio Grande do Sul. Ele foi engolido pela Petrobras e depois digerido pela Braskem.

Em 2015, seu filho Auro Gorentzvaig foi para a TV. O Antagonista classificou como espantosa a reportagem de cinco minutos que o Jornal da Band colocou no ar. Ele denunciou detalhes do funcionamento interno do modelo russo.

Ele contou como terminou a guerra entre os oligarcas da Suzano e da Braskem, dois gigantes. Contou que a Suzano caiu fora do setor após a Petrobras lhe pagar o triplo do que a empresa valia. A Petrobras desempenhou o papel de moleque de recado. Foi lá na Suzano, pegou o que a Braskem queria, pagou e depois transferiu para a Braskem. Em troca de quê? Em troca de um punhado de ações da Braskem. Naturalmente, alguém perdeu nessas tenebrosas transações. Você acha que foram os oligarcas ou a Petrobras?

Auro Gorentzvaig não queria que a petroquímica de sua família tivesse o mesmo destino, não queria que acabasse nas mãos da Braskem. Lutava na justiça contra isso. Este vídeo é impressionante porque mostra como Auro acabou entendendo qual é o fórum apropriado no modelo russo. Ele aprendeu muito sobre compadrio em uma reunião com o rei, ocorrida em 2009.

Segundo o empresário, após expor ao então presidente da República que a Justiça lhe dava razão e sugerir que fosse feita uma divisão de mercado com a empresa do Grupo Odebrecht, Lula pôs a mão na sua perna e disse: ‘Poder Judiciário não vale nada. O que vale são as relações entre as pessoas.’

Em resumo, o vídeo mostra que, no modelo russo, o conflito entre grandes oligarcas como os da Suzano e Braskem,  é resolvido com dinheiro, dinheiro público, após ser arbitrado pelo rei.

Em um vídeo anterior, mostrei como o oligarca mor é bem tratado pelo rei. Ficamos sabendo de tudo graças às confissões em juízo da delação premiada de Emílio Odebrecht. Não vou mostrar de novo para não encompridar.

Depois de engolir meio mundo no Brasil e comprar petroquímicas no exterior, a Braskem passou a ser uma multinacional enorme, uma das maiores empresas petroquímicas do mundo. Seu faturamento global já é superior ao de todo o pólo de Camaçari, beirando os 20 bilhões de dólares.

Todavia, o modelo russo tem uns probleminhas. O próximo vídeo vai mostrar que os EUA não estão caçando apenas os oligarcas russos. Os brasileiros da Braskem também estão sendo caçados até com cartazes oferecendo recompensas no estilo velho oeste. Não é só isso. Você vai assistir a uma viagem na maionese exclusiva. O General Geisel vai falar o que ele faria se estivesse vivo. Ele veio do além só para atender ao convite do Canal do Viajante da Maionese.

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